quarta-feira, 30 de julho de 2014

Utopias

“Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo? Anotações soltas sobre a mesa, cinzeiros cheios, copos vazios e este guardanapo de papel onde anotei frases aparentemente sábias sobre o amor e Deus, com uma frase que tenho medo de decifrar e talvez, afinal, diga apenas qualquer coisa simples feito: nada disso existe.

Nada, nada disso existe."

Caio F.



Desenhei você numa lembrança bonita e te esperei ansiosamente com duas xícaras dispostas sobre a mesa do meu café que nunca dá certo. Da espera esse desassossego impregnava os cantos do apartamento vazio de nós e assoberbado das cinzas da nossa história tão linda e louca. Como num eixo que em mim estabelece a vida, lembro-me perfeitamente o quão bom era contemplar tuas simplicidades e a forma doce que ser humano algum antes de ti fora capaz de perturbar o canto dos meus lábios ressacados pelo frio. Nosso relacionamento sempre foi diferente dos demais, a começar pelos apelidos "Fofinhos" eu era a sua trouxa e ele meu idiota e riamos muito disso. Recordo das vezes que fechava a cara e me chamava de marrenta porque eu nunca falava o que sentia nem dava o braço a torcer e eu sempre fingia me irritar só pra que ele me tivesse em seus braços mais uma vez. Ah meu menino a vida corre rápido demais e você sabe eu nunca fui muito boa com as palavras, mas tenha certeza, se eu tivesse mais uma alma para dar, eu te daria.

PS: A porta continua entreaberta e o coração também. 



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