sábado, 21 de setembro de 2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Argila

Nascemos um para o outro, dessa argila
De que são feitas as criaturas raras;
Tens legendas pagãs nas carnes claras
E eu tenho a alma dos faunos na pupila...

Às belezas heroicas te comparas
E em mim a luz olímpica cintila,
Gritam em nós todas as nobres taras
Daquela Grécia esplêndida e tranquila...

É tanta a glória que nos encaminha
Em nosso amor de seleção, profundo,
Que (ouço ao longe o oráculo de Elêusis)

Se um dia eu fosse teu e fosses minha,
O nosso amor conceberia um mundo
E do teu ventre nasceriam deuses...

Raul de Leoni



"O amor nasce no ventre da poesia, alimentado pelos versos nobres e pela doçura das canções, é cultivado como roseira e quando cresce  nos corta com os espinhos das suas projeções."

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Sempre se têm as estradas

“…abriu todas as janelas para o dia azul brilhante. Respirou fundo, sorriu. (…)Sorriu ainda mais quando, sem esforço, lembrou de uma porção de gente.(…)quem acredita sabe encontrar. Não garanto que foi feliz para sempre, mas o sorriso (…) era lindo quando pensou todas essas coisas…”As partidas sempre doem baby...

Caio Fernando Abreu




Faltam exato três meses para a partida, mas as malas já estão prontas. Meu recomeço se dá em uma nova cidade, num apartamento pequeno, com rodas de viola e um bando de amigos loucos filosofando sobre a vida. No meio dos barulhos das buzinas, da correria e dessa gente que como eu tenta se encontrar, eu me sinto em casa. Meu novo lar me abraça e pela primeira vez me sinto parte de algo, o desconhecido mundo novo me fascina, acolhendo-me rumo a jornada que diante dos meus olhos se revela. O destino me tirou para dançar e nessa valsa lenta ameaço os primeiros passos, devagar, sem pressa, já que eu sempre fui um desastre com atividades que exigem mais do que o movimento básico de caminhar. Só alguns meses penso, mais alguns dias. Vou partir sem olhar para trás, para que não fique presa a nenhum pedaço e possa dessa forma ir embora completa.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Super recomendo

Livro da Marla de Queiroz, "Quando as palavras se abraçam" simplesmente incrível. O meu chegou com uma dedicatória linda dessa pessoa querida e simpática Marla e é claro que estou morrendo de amores por ele. Abaixo um trecho (meu favorito), vale a pena conferir.


Depois da tempestade 

Talvez ele não saiba que aquela dor que ele causou, calou os olhos dela violentamente por uns tempos.Isso não é crime, é carma: magoar alguém assim, dentro do melhor vestido, remover com lágrimas o rímel cuidadosamente passado, deixar tão descrente alguém que achava a vida mágica...

Talvez ele nem desconfie que quando ele disse eu vou embora e ela tudo bem, logo que se deram as costas, ela respirou fundo uma, duas, três vezes, colocou quatro gotas de floral de Bach embaixo da língua e se afundou na tristeza escutando Killing Me Softly da Roberta Flack e Como Vai Você? do Roberto Carlos.E que passou sete dias lendo Nietzsche revoltada com o “último homem” e discordando do “Pequeno Príncipe” de Exupéry. Entendeu perfeitamente o I CHING quando disse que não era favorável atravessar a grande água e foi dormir sem sono, meditando cura e mantrando plenitude nas caminhadas matinais que só fazia se houvesse chuva. (Mas tentou suicídio comendo o último pedaço de pizza de calabresa esquecida, desde aquele dia, dentro do forno apagado...Porque morrer de amor seria um exagero).

Talvez ele nem imagine que ela parou de sair com os amigos pra beber vinho em casa escondido, no café-da-manhã. E escreveu vinte e nove cartas sobre a raiva e nunca enviou porque era moça espiritualista e tinha que manter o discurso saudável do “isto também passará”.(Não mandou, mas depois da segunda garrafa de vinho às três da tarde, foi por um triz).

Talvez ele nunca saiba que ela mudou os móveis de lugar, mandou queimar o colchão que já conhecia tanto o peso dos dois, e deu pro morador de rua o edredom que testemunhara tantos abraços noturnos.Dormiu no chão, quis mudar de religião, leu Lacan e criticou Freud pelo seu processo lento e generalizador.Pensou em mudar de curso, de profissão, de cidade.Quis mudar de si, já que seu corpo era a casa de um só sentimento.Fez uma viagem, não quis conhecer ninguém, posou de antipática porque estava apática.Se escondeu da lua cheia, fez do seu quarto um campo de concentração e depois se mudou para sala.Trancou todas as portas pra não entrar qualquer ilusão.Por tanto tempo era ela e sua tristeza intransitiva.

O que ele também não sabe porque nem ela sabia, é que um dia ela acordaria assim, vazia daquele amor.A dor exaustiva de cabeceira havia cessado, deixada no fundo do poço.Parou de se alimentar daquela porção individual de desilusão e enterrou o passado num túmulo desconhecido, para que não houvesse a menor possibilidade de revisitá-lo.


(Ele quase soube disto quando pensou que ainda estava recente para ensaiar uma recaída,um flashback. Mas para ela, que só soube na hora do reencontro tão almejado,já era tarde.)

Havia criado um mantra: No momento em que me dei inteira, ele me deu as costas.Isso não pode continuar supervalorizando uma saudade.Ser uma mulher curada de um amor, dependendo das circunstâncias, pode ser melhor que ser uma mulher amada...por ele.

E o seu melhor vestido pedia uma nova chance e um rímel à prova d'água.

sábado, 7 de setembro de 2013

 "Desafiei Deus, sinto muito, era a única maneira de me salvar. Ele me entendeu."



Que meu legado seja a coragem e a vontade quase insana de viver até a última gota.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Ainda não vi o que sempre quis

...Percebi que as minhas costas estavam muito curvadas para frente, como se eu 
quisesse sempre defender do mundo alguma coisa funda escondida no meu 
peito.



- Mas cara eu nunca fui do tipo que faz muito sentido. Eu sou assim, meio patética, sempre ridícula procurando essa tal felicidade presente nas histórias que contavam pra gente antes de dormir. Deus morreu tem tanto tempo e lá fora o vento sopra, levando para sempre as lembranças guardadas na memória das paredes do apartamento vazio. Cara eu tô ficando velha,  eu tô ficando louca.

domingo, 1 de setembro de 2013

A parte mais linda de mim




"Porque é tão mais fácil aturar a vida sabendo que tem você. Agora sem você, meu amigo, a coisa é feia, realmente feia.”





Ai lembro daquele fim de tarde em que nos sentamos numa dessas calçadas e dividimos um cigarro, enquanto filosofávamos sobre a vida. Não tínhamos muita coisa, na verdade quase nada, mas carregávamos coisas bonitas no peito, essas por sua vez que hoje não se crê mais. Nós acreditávamos e por assim ser no nosso mundo de sonhos e contradições eram verdades absolutas. Depois de tanto tempo a gente ainda se pega falando dessas velhas histórias, tão nossas. Crescemos tanto com tudo isso, choramos, rimos juntos tantas vezes que agora a única coisa que tenho a dizer-lhe é obrigada pela mão, pelo braço e todo carinho do mundo que sempre teve e tens para comigo, você me faz ter fé, garoto tu me dá vida.