segunda-feira, 29 de abril de 2013

Eu penso sim, eu quero sim's


Era mais uma garota que vestia preto e curtia rock and roll. John fazia o tipo certinho, falava palavrão só quando esbarrava em alguma cadeira ou quando deixava qualquer coisa cair, incrível mas ele conseguia ser mais desastrado que eu. Um palhaço nato arrancava sorrisos meus nos dias mais cinzas e densos. Sentia-me leve perto dele, sem máscaras e proteção nenhuma. John era meu porto, o lar que nunca tive, mas esse sentir me assustava, não sabia muito sobre esse negócio de amor e "mimimi" e o pouco que sabia acabava com lagrimas e um pote de sorvete.

- O resto são coisas banais, sem valor algum. Esqueça! Olha para mim, deixa eu cuidar de ti. Dizia.

Mergulhei de cabeça morrendo de medo, sem saber direito o que seria de nós, se é que seriamos algo. O cuidado que tinha para comigo, aquele jeito doce, cada pequeno detalhe despertou em mim uma paz infinita de uma ternura indescritível, entretanto vivia para ser livre, mas por descuido fui gostando de ficar. John ensinou-me a simplicidade das pequenas coisas, eu era uma criança em suas mãos, conhecendo o mundo pela primeira vez. Ele cuidava de mim como seu eu fosse seu sol, seu maior tesouro. Resolvi tentar, não tinha nada a perder, lutaria então com todas as forças para que desse certo, para que não fossemos mais um casal de estranhos após um final frustrado.

Nunca tive muita coisa, só tentava  sobreviver nesse mundo louco, mas perto dele eu sentia-me uma heroína  de antigos gibis. Buscando o melhor estava disposta a fazer qualquer coisa para não perder o encanto aos seus olhos. Desprezando passado, traumas e medos construímos nosso pequeno castelo desenhando nossos caminhos  povoando cada canto sem vida e colorindo qualquer espaço antes sem cor. John passou a chamar-me de pequena e eu apelidara ele de anjo nos fazíamos perfeitos em nossa imperfeição, unidos pelo laço atemporal que nos prendia até o amor deixar de ser.

Talvez a felicidade não passe de utopia, mas é uma utopia feliz nos completávamos e arrisco dizer que sempre será assim, porque somos um arará do outro, sabe aquele pássaro colorido em extinção que vive sendo par de apenas um pelo resto da vida? Não saberia viver sem seus olhos em cima dos meus, nem sem aquele sorriso quando acordo rabugenta. Quando olho para John tenho vontade de chorar, não de tristeza mas cada gargalhada é como uma nota musical que me toca o coração e me faz querer dançar revelando que a vida só tem sentido quando encontramos alguém para dividir os dias. Perdoa minha falta de jeito, nunca soube expressar o que sentia. Sem promessas caminho ao seu lado até quando minhas pernas estiverem fracas e meu rosto coberto de rugas. Estarei ao seu lado te acompanhando com um sorriso largo porque tudo que a de bom em mim, existe porque um dia você me amou.

Pagina do diário encontrado dentro de uma gaveta empoeirada na casa dos Corbett. Segundo relatos a casa tivera sido um cenário de amor sem fim até a morte em 1989 de Ana Corbett  por causas naturais. Sete dias após a morte da esposa, John Corbett  fora encontrado sem vida com um tiro na fronte e um revolver calibre 38 em mãos. Dizem que o mesmo faleceu porque a vida era pesada demais sem o amor de sua arará. 

Nova York, 23 de outubro de 1999.



sábado, 27 de abril de 2013

Hobby?


Meu mais novo Hobby, se é que assim pode ser definido. Poesia de uma forma concreta.


Ziel - Tal árvore cresce da escuridão do lodo para a superfície, abrindo sua flores somente após ter-se erguido além da superfície expandindo suas verdadeiras qualidades (pétalas) após ter-se erguido dos fluidos turvos da paixão e da ignorância, e transforma o poder tenebroso da profundidade no puro néctar radiante da consciência Iluminada a incomparável jóia . Apesar de suas raízes estarem na profundidade sombria deste mundo, sua cabeça está erguida na totalidade da luz, assim como alma.





"Tivera seu coração arrancado do peito, mas soubera sempre que mesmo ferido ainda era capaz de tocar as estrelas."

sexta-feira, 26 de abril de 2013



"Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto. "

Caio Fernando Abreu




       Joguei fora todos os escudos e armaduras quando naquele abraço de vidas lhe dei. E mesmo que eu não tenha mais um brilho bonito nos olhos e que meus ombros já não sejam tão fortes te peço fica porque sorrio hoje por você e para você.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Só não se perca nunca de mim



"Ficou na memória dos meus olhos o clarão do sorriso seu.
Depois disso, tudo o que sorri pra mim com algum sol faz eu lembrar de você."



Para Fernando Oliveira

Tenho conquistado a felicidade batalhando dia após dia ao seu lado. Juntos derrubamos os muros que nos faziam presos a projeções e a laços frágeis. Choramos abraçados nossas perdas e compartilhamos a mesma vontade insana de viver. Não temos muita coisa nem carregamos bagagem alguma o que temos é apenas um ao outro. Nosso elo desconhece a maldade, não sufoca, não prende é meio bobo sempre muito bonito e simples, assim como o encaixe perfeito de nossas mãos.

 Quero colorir teus dias cinzas, tornar belo cada caminho por onde passar. Te protejo, te guardo. Apanho, me firo e morro em teu lugar. Te carrego quando cair, assim como um dia fez por mim. Seguro tua mão, enxugo teu pranto e sou tua fortaleza. Te espero com um sorriso e com aquele perfume cítrico que tanto gosta. Nunca serei tua sorte, porque sorte é ter você na minha vida. Não sei cozinhar, mas me esforçarei para fazer seu prato preferido e se não gostar vamos cair no riso enquanto dividimos a mesa em qualquer bar aberto que venda rufles e coca cola.

Você é tudo que sempre quis e nunca soube que tive. Por isso lhe peço, não me questione, apenas deixa-me te abraçar forte, porque como dizia um velho poeta quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Voar, voar, amar


         Quando olhava pra mim apertando os olhos se dizendo incrível porque sabia voar, eu não conseguia controlar o riso. 
- Só em sonhos garoto. 
- Se continuar duvidando, não te levo comigo. Ele me desafia.
De braços cruzados o encaro tentando parecer uma daquelas mulheres duronas. 
- Venha, segure minha mão, prometo nunca deixa-la cair. 
Mesmo sem entender achando tudo aquilo uma grande brincadeira, mais uma bobagem, algo dentro de mim me impulsiona a não solta-lo jamais.  Vou a seu encontro e por um momento o mundo para de girar. Ele tira o casaco, revelando um par de asas reluzentes como ouro. Fico estagnada deve ser um sonho, penso.
Com um sorriso largo nos lábios leva suas mãos frias até meu rosto acariciando-o devagar.
- Impossível aprisionar aqueles que tem asas pequena.
Desse meu jeito torto o seguro com todas as forças e cruzando o céu voamos juntos, para onde o pra sempre desconhece o fim.


segunda-feira, 22 de abril de 2013


Eu canto a poesia das frases soltas que não sei dizer.
Porque palavras estas, simples e tão curtas são como bálsamo para minhas feridas abertas e o grito contido preso na  garganta. 

Vícios, abstinência e Jane


      O relógio digital marca 05h00min horas, me viro de um lado para outro na cama, que parece maior desde que se foi, tento ficar imóvel a espera do sono tão desejado que se recusa a vir. La fora a cidade é deserta, sem vida como eu. É uma noite escura sem nenhuma estrela no céu, longe o barulho dos trovoes professam a chegada de uma tempestade será uma noite longa, penso. Levanto-me de lançante e sigo em direção à cozinha.

- Preciso de álcool, algo forte. – minha voz ecoa por todo o cômodo.

       No armário encontro um litro de vodka ainda fechada, com a tampa cerrada entre os dentes a arranco com um golpe preciso, meus dias de bar serviram para alguma coisa. Em cima da pia o copo com a marca de batom vermelho carmim seu predileto, mesmo copo que na semana anterior Jane apreciava sua coca zero - sempre me fazia rir com suas ideias quase doentias de perder peso era tudo diet, light, gostava de irrita-la dizendo ser comida de doente sem gosto nem tempero. Um sorriso escapa incrível como mesmo longe ela ainda conseguia perturbar o canto dos meus lábios. 

       Vou em direção à sala e sento-me no chão em frente à janela, as primeiras gotas de chuva começam a cair, o céu dá seu espetáculo de som e luzes iluminando minha cara marcada. Hoje aqui jogado no chão desse apartamento vazio é que percebo o quanto sinto sua falta, aquela menina/ mulher doce, envolvente e determinada iluminava meus dias como ninguém jamais fizera. Perdi a pessoa que mais amei porque nunca soube dizer o quanto a amava meus silêncios sempre me impediam de fazer isso, no fundo sabia que ela queria mais que “baby curto muito você” Jane queria “eu te amo tu é a mulher da minha vida”, nunca consegui dar isso a ela, como falaria de amor se nunca soube o que é isso? Meus relacionamentos se resumiam em atração e “te ligo um dia desses” (nunca ligava) as pessoas não esperavam muito de mim assim como não esperava nada delas. Sempre vivi assim, ignorando, me privando de tudo que envolvia amor e finais felizes. 

       Só que com Jane era diferente eu gostava de tê-la por perto, em meus braços, gostava de velar seu sono tranquilo, parecia um anjo. Nunca permiti que ninguém dormisse ao meu lado, nem que invadisse meu universo paralelo, ela foi a primeira e única. De algum jeito Jane me mostrou que essas coisas tão simples, babaquices de gente melosa Love Love me deixavam leve e gostava disso, eu o cara complexo destruidor de corações do oitavo andar estava apaixonado.

-Como isso foi acontecer?

Eu a amava em silencio porque essa era a única forma que sabia, tinha medo, sim eu tinha medo de ferrar com tudo e perde-la. E dessa forma à perdi para sempre. 

      O cinzeiro está cheio, acendo mais um cigarro, quero fumar e beber até perder completamente os sentidos, minha resistência ao álcool essas horas torna-se algo irritante, estou na segunda garrafa e ainda consigo fazer o quatro e gritar. Uma dor lenta toma cada pedaço, cada célula do meu corpo cansado carregado de nicotina e álcool. A ausência é um punhal enterrado no meu peito. Sua presença não é nenhum capricho, mas uma necessidade, nunca quis nada nem ninguém como a quero, entretanto sei que jamais voltará. 

      Vou até o quarto, abro a gaveta do criado mudo que fica ao lado da cama, no fundo encontro o que procuro coloco o objeto no bolso apanho o travesseiro de Jane e rumo até a sala. Sento-me em frente à janela novamente, lá fora uma chuva calma cobre a cidade que dorme, pego o celular tentando encontrar algum sinal dela. Nada. Só mais um gole penso e esvazio o copo. Brody Dalle grita ao fundo “Baby, you make my heart beat faster Let alone”. Retiro do bolso a lamina enferrujada guardada durante anos e defiro um golpe em cada pulso. O sangue jorra enquanto repouso lentamente a cabeça sobre o travesseiro, me embriago no seu único vestígio, aquele cheiro doce viciante que parece me entorpecer. Abraço-o como se fosse seu corpo o aroma se dissipa quase que escapando por entre meus dedos e então caio em um sono mortal e profundo repetindo como um mantra, te amo minha pequena Jane, t-e a...