sábado, 21 de fevereiro de 2015

Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente



“O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava mas também me deixava enjoado. Pensar em ser um advogado ou um professor, ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, participar de piqueniques em família, festas de Natal, 4 de julho, Dia do Trabalho, Dia das Mães... afinal, é para isso que nasce um homem, para enfrentar essas coisas até o dia da sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, retornar para a solidão de um cubículo e beber até dormir.”

- Charles Bukowski.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

É que eu preciso dizer que Te amo, Bethânia.


"E eu - como é que posso explicar ao senhor o poder de amor que eu criei? Minha vida o diga.
(...)Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura."

Trechos de Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa

De tudo que tenho, eis meu amor.
E nesse brotar a poesia que prevalece.
Nas asas de todos os pássaros. 
Na forma humana de Bethânia. 



Sou um poeta do mato
vivo afastado dos meios
minha rude lira canta 
casos bonitos e feios
eu canto meus sentimentos
e os sentimentos alheios.

e quando é preciso eu canto
a mágoa, a dor e a tristeza.

Eu posso dizer que cantei aquilo que observei.
Eu canto o que minha alma sente e o eu coração encerra.
As coisas da minha terra, a vida da minha gente.

(P. Antônio Henrique)




terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Solidões


"Ilha não é só um pedaço de terra cercado de água por tudo quanto é lado. Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente. Por exemplo: um garoto tímido abandonado pelos amigos no recreio, é uma ilha. Um velho que esperou a visita dos netos no Natal e não apareceu ninguém, é uma ilha. Até um cara assoviando leve, bem humorado, numa rua cheia de trânsito e stress, é uma ilha. Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha. Toda ilha é verde. Uma folha caindo é ilha cercada de vento por tudo quanto é lado. Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara."

Oswaldo Montenegro




Comovo-me em excesso e tenho por sede o mundo desde que rasquei o ventre de minha mãe.  A intensidade é uma doença contagiosa. E eu não concebo a vida sem contágios. Se vim ao mundo, foi para desenhar meus pés na terra inexplorada e me entregar ao amor.
Tenho por oficio pular muros e deslumbrar horizontes que me levem muito além da perspectiva dessas calçadas irregulares. Sou uma máquina desejante de poros abertos que solvem a vontade enquanto ardo nas paixões.
Sou incapaz de submeter-me à adequação da banalidade das relações que se atravessam e condensam em laços efêmeros. Eu nunca vou funcionar direito. Sempre me senti fora do contexto, tropeçando na normalidade, emanando solidões.
O vazio das multidões me alimenta. Acho que não nasci mesmo para acompanhar ninguém. Sou o que sou. Pertenço somente a mim e a mais ninguém. A alegria é a loucura que levanto como um facho na escuridão e em tempos de feiura. O caminho eu mesma traço, sem planos ou promessas. Porque de nada adianta saber, já que a vida não leva em conta os planos que a gente faz e promessas são só palavras enfeitadas com o intuito de amenizar o pavor da certeza que jamais homem algum terá. 
De faltas me fiz só. Na dor todo mundo é igual. Eu sou ilha, todos são.