terça-feira, 28 de julho de 2015





Era eu e a praça vazia coberta pelas folhas secas que cairam durante a estação. Deito sob o banco gelado disposto à frente das flores mortas pela friagem e aperto o play esquencendo os ponteiros do relógio.

Era eu, a praça vazia e a plenitude do silêncio sem dor. Irônico, mas sempre me sentia extremamente confortável em lugares de frequentes chegadas e partidas. Talvez fosse pela transitoriedade e impermanência das coisas quase tangível ou pelas tantas histórias e marcas impregnadas nas calçadas e mochilas dos que buscavam algo melhor que essa paranoia louca.

Levanto. Sorrio para o sol que agora se põe e ai lembro de uma canção da Elis Regina que diz:

Tenho um caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir

Geralmente não olhava para trás quando partia, porque tinha mesmo medo ficar num pedaço qualquer e partir incompleta. Dessa vez, olhei. Eu queria fazer parte de tudo. Quem sabe voltar um dia.

sábado, 4 de julho de 2015

Eu vejo as placas dizendo

Não corra, não morra
Não fume...







Enquanto o batom vermelho sangue manchava o copo, a bebida descia queimando a garganta. Era a quinta dose de whisky e Minha cabeça já não girava, mas se derramava pelas calçadas esburacadas da cidade imunda que nasci. 

Ahh como eu detesto esse lugar!

Eu continuava perdida num silêncio denso. Onde nem uma legião de anjos poderia me salvar.

As pessoas tem medo de suas emoções. São um bando de crianças assustadas, com discursos auto suficientes. Foda-se, já fui assim também um dia, quando ainda me importava com alguma coisa.

A vida já foi várias coisas pra mim, do amargo a doce ilusão de plenitude...

Ouvi dia desses que suidicio é um ato heróico e sem falhas, já que é preciso uma pulsão de morte extremamente forte e uma coragem absurda para reconhecer a morte de dentro e dar um fim à tudo. Considerando o  egoismo inerente humano, acho que sou obrigada a concordar.

Quem sabe num dia desses, eu me surpreenda com essa coragem, quem sabe. 
No entanto hoje, eu fecho todas as janelas, deixando por alguns minutos o desejo de pular, volto para minha bebida e quase me sinto abraçada.