Eu vejo as placas dizendo
Não corra, não morra
Não fume...
Enquanto o batom vermelho sangue manchava o copo, a bebida descia queimando a garganta. Era a quinta dose de whisky e Minha cabeça já não girava, mas se derramava pelas calçadas esburacadas da cidade imunda que nasci.
Ahh como eu detesto esse lugar!
Eu continuava perdida num silêncio denso. Onde nem uma legião de anjos poderia me salvar.
As pessoas tem medo de suas emoções. São um bando de crianças assustadas, com discursos auto suficientes. Foda-se, já fui assim também um dia, quando ainda me importava com alguma coisa.
A vida já foi várias coisas pra mim, do amargo a doce ilusão de plenitude...
Ouvi dia desses que suidicio é um ato heróico e sem falhas, já que é preciso uma pulsão de morte extremamente forte e uma coragem absurda para reconhecer a morte de dentro e dar um fim à tudo. Considerando o egoismo inerente humano, acho que sou obrigada a concordar.
Quem sabe num dia desses, eu me surpreenda com essa coragem, quem sabe.
No entanto hoje, eu fecho todas as janelas, deixando por alguns minutos o desejo de pular, volto para minha bebida e quase me sinto abraçada.
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