quarta-feira, 25 de junho de 2014

Fernando Pessoa, na pele de Álvaro de Campos, diz que todas as cartas de amor são ridículas. Guimarães Rosa revela que a vida quer coragem da gente. E eu concordo, Álvaro. E eu te dou toda razão, Guimarães. Queria eu, naquele dia em que lacrei o envelope, ter sido mais ridículo e ter tido muito mais coragem. Isso evitaria o meu remorso ao confessar nesse momento que a última carta que escrevi foi em dois mil e sete; eu tinha vinte e três anos e ela nunca foi entregue.

Pedro Gabriel


sábado, 14 de junho de 2014

Sóbria


Seguimos através de nossas migalhas de pão, sonhando que as fomes terminem e o dia siga espalhando suas luzes para nos mostrar onde estão as veredas que devem ser evitadas. O pão apodrece, o dia finda, a estrada se torna mais perigosa, ficamos sem direção e a verdade relampeia quase cegando: estar perdido é o nosso caminho certo.

Tiago Fabris Rendelli


Eu sempre tive um jeito enorme de amar para sempre, mas sou desajeitada demais para lidar com o que não tem fim. Essa utopia que tantos tecem aos quatro ventos não se adéqua a mim, nem me pertence. A felicidade sempre me pareceu um tanto escorregadia  a ponto de nunca ter conseguido firma-la nas mãos. Engraçado, minha honestidade costuma causar certo desconforto, muitos até creem de pé junto que não passo de mais uma desiludida que canta sobre a solidão. Tais filosofias já não me tocam, alias quase nada. Nesses dias lentos só tenho presa e sentimentalidade exacerbada costuma ser prejudicial à saúde.


domingo, 8 de junho de 2014

Pra você dar o nome

Arrumando as prateleiras num desses dias casuais foi quando encontrei um velho bilhete perfeitamente dobrado em quatro partes. No primeiro momento tive receio de abri-lo, lembranças como bons fantasmas vez em outra divertem-se remexendo uma porção de sentimentos empoeirados. Entretanto ao desdobrar o papel amarelado pelo tempo e contemplar aquela caligrafia torta tão conhecida, na ânsia de chorar, sorri. Porque não havia dor nem magoa, só essa coisa mansa, sem nome que floresce quando lembro de ti.


Não precisava fazer nada, pensei. Queria apenas tua presença, mas isso sempre foi uma coisa simples e complicada de entender.

"Não adiantará 
Conjugar relógios
Consultar poemas
Escrever oráculos.
Não adiantará
Conjugar manhãs
Consultar marés
Escrever em lápides.
A história
Foi-se:
Breve
Lírica
Linda.
Mas
Agora
É finda."

Marla de Queiroz 

OBS: Observa-se meu encanto por Marla de Queiroz, amo mesmo e ela sabe. rsrs