sexta-feira, 21 de agosto de 2015


Quando minhas mãos pálidas
deixarem cair a última caneta
em um quarto barato
eles vão me achar lá
e nunca saberão
meu nome
minha intensão
nem o valor de minha fuga

Charles Bukowski



Descarregou a pistola, perfurando o corpo que cambaleava até alcançar o chão. Foram 13 balas.
Mas uma bastou para dar fim a vida daquilo que já não se tinha controle. As outras 12 foi puro desejo de matar. 

Foi um crime perfeito, sem vestígios ou testemunhas. 

Matou por raiva, paixão e uma quase, talvez esperança de renascer, como um novo homem liberto do anseio que ritmava seu braço aventureiro a segurar o mundo. 

Matou em legitima defesa. Para nascer algo novo. Se nascer. 
Porque tudo é tão incerto.

Matou porque fora isso que aprendera na selva onde nascera. E fará tantas e outras vezes, quando o medo bater a porta e rigor do inverno chegar. 

Matou e matará, sem piedade quando descobrir que o amor é fatal e poder algum se tem sobre a ordem das coisas.

E por fim, o tempo desgastará os mármores e lhe trará rugas e cabelos grisalhos. Soletrará velhas palavras doces e generosas e em vão tentará sentir como antes, mas estará oco de vida e sonhos. 

Um homem apagado, que matou e foi morto. Soterrado pela vida em todas as noites do mundo que passa num quarto só.