Estamos a sós e sem SOS. Não há terra à vista. Não há outros barcos. Não há outros seres humanos. Não há água potável. Os alimentos terminaram e já não temos mais força para continuar, pois os remos se foram, a vela se perdeu e o barco não tem motor. O que fazer?
Sobreviver.
Quando somos capazes de sair do casulo individualista, podemos abrir as asas devagar e, talvez com certa dor, voar além de nós mesmos.
MONJA COEN
Dois ônibus me levariam ao meu destino. Olhei as horas, "tô muito ferrada(...pensei)", estava mesmo. Torci para o segundo atrasar, não atrasou. Fui até o guichê, um cara me atendeu sorrindo, retribui.
- Se tivesse chego à 10 min antes tu teria pego ele. Disse o moço gentil
-PORRA, mas que PORRA do CARALHO!..
- Desculpa viu, não foi p/ você, eu, só precisava... me expressar rsrs. Eu disse.
Ele caiu no riso.
-Tem compromisso? disse ele.
-Sim, estou enquencada.
-Quer comprar a passagem p/ o próximo?
-Que horas ele sai? perguntei.
-Daqui a 2 horas.
(suspirei).. - Tenho outra escolha?
- É. Acho que não.
- Eu compro. disse eu
Agradeci e sai em direção aos bancos vazios da rodoviária deserta.Remexendo na mochila achei um bloco de anotações. Comecei a escrever sobre o que via. Sempre pensei que rodoviárias fossem uma espécie de esquinas do mundo, porque apesar de redondo, ainda tinha muitas esquinas, onde todo mundo acaba se encontrando ou perdendo um dia.
Estava sentada de pernas cruzadas, em posição de meditação. Não era nada especial, na verdade eu só queria me sentir confortável enquanto o tempo passava. Pouco tempo depois, conheci uma senhora muito gentil que veio até mim pedindo alguns trocados. Olhei na bolsa. Eu tinha cinco pilas. Dei a ela. Em gratidão ela rabiscou meu nome num caderno que trazia consigo, segurou minhas mãos e disse que lembraria de mim em suas preces. Beijei suavemente suas mãos marcadas pelo tempo (eu estava realmente comovida com tamanho afeto). A senhora então se despediu e partiu.
-PORRA, mas que PORRA do CARALHO!..
- Desculpa viu, não foi p/ você, eu, só precisava... me expressar rsrs. Eu disse.
Ele caiu no riso.
-Tem compromisso? disse ele.
-Sim, estou enquencada.
-Quer comprar a passagem p/ o próximo?
-Que horas ele sai? perguntei.
-Daqui a 2 horas.
(suspirei).. - Tenho outra escolha?
- É. Acho que não.
- Eu compro. disse eu
Agradeci e sai em direção aos bancos vazios da rodoviária deserta.Remexendo na mochila achei um bloco de anotações. Comecei a escrever sobre o que via. Sempre pensei que rodoviárias fossem uma espécie de esquinas do mundo, porque apesar de redondo, ainda tinha muitas esquinas, onde todo mundo acaba se encontrando ou perdendo um dia.
Estava sentada de pernas cruzadas, em posição de meditação. Não era nada especial, na verdade eu só queria me sentir confortável enquanto o tempo passava. Pouco tempo depois, conheci uma senhora muito gentil que veio até mim pedindo alguns trocados. Olhei na bolsa. Eu tinha cinco pilas. Dei a ela. Em gratidão ela rabiscou meu nome num caderno que trazia consigo, segurou minhas mãos e disse que lembraria de mim em suas preces. Beijei suavemente suas mãos marcadas pelo tempo (eu estava realmente comovida com tamanho afeto). A senhora então se despediu e partiu.
Como se preso numa ampulheta imóvel o tempo não passava. Não conhecia a cidade. Decidi andar sem rumo querendo encontrar uma praça e achei. Sentei, meditei, pensei em Shiva (segundo o hinduísmo é a personificação da força renovadora do universo). Quis me reinventar. Tomar um banho de chuveiro por dentro, ser outra mulher. Por um breve momento me senti parte de algo, ou de tudo. Pedi perdão pela raiva, ignorância e imprudência nascidos da minha boca, corpo e mente. Agradeci ao cosmos por tudo que tenho e pelas coisas novas e vivas que ainda estão por vir e desejei boas energias e um sol luminoso p/ todo mundo, já que, estamos todos no mesmo barco.
Um João de barro pousou à poucos metros de mim. Meu pedido fluiu e fora recebido com sucesso, pensei.
Um João de barro pousou à poucos metros de mim. Meu pedido fluiu e fora recebido com sucesso, pensei.

