quarta-feira, 31 de maio de 2017

“Nowhere man can you see me at all?”



Doeu pra caralho as pedras de gelo sobre a minha pele, e ao mesmo tempo eu te falava do meu ártico.

e isso, do Ártico, só você sabe.

Matilde Campilho



sábado, 6 de maio de 2017

O último poema



I was going to write you a poem
but then I didn’t
Ao invés disso eu me fiz promessas
I won’t say his name
Vi teu rosto sumindo 
I won’t say his name

(...)

I was going to love you forever
but then I didn’t.

Matilde Campilho






Andei muito só, por escolha própria, vontade, livre arbítrio ou como tu queiras chamar. Eu andava triste e muito só.
Tirei o telefone do guancho e tranquei todas as portas e janelas, deixando apenas uma pequena fresta por onde o sol pudesse entrar. 
Arredei os móveis do lugar e deitei. No piso gelado deitei descalça e permaneci imóvel olhando as estrelas que havia pintado no teto do quarto por horas ou talvez dias. Não havia tempo ou calendários era apenas eu e o mugido num túnel de uma velha dor.

Eu não era mais uma criança que acreditava em contos de fadas e heróis. Eu sabia da sujeira, da miséria gerada pelas noites desses dias tão iguais e de como eram pesadas as mãos da vida sobre a existência frágil mortal. Entretanto docemente eu segurava pela mão um pequeno amor antigo tão manso e puro que fazia-me recordar da alegria de um risco na parede desenhado à carvão pela parte criança que um dia fomos. 

Quando a realidade veio ela me acertou em cheio foi então que cai numa dor intangível. Eu já não tinha mais 19 anos mas sim, acreditava no amor. Aquele em que você voltava pra mim sorrindo e eu te segurava contra peito num abraço. 

Acho que chorei.
Chorei mais ainda quando compreendi que o amor não passava de um fantasma efêmero e você tinha esquecido. 

Poetas insistem em amar o já morreu por isso não é de se espantar que fecho os olhos e vejo você (sim eu ainda te vejo). Sempre te achei a pessoa mais bonita do mundo, nunca precisei te
 inventar, honestamente, amava tu despida e teu peito mar. 

Perdão, por favor me perdoe. Agora entendo que o amor só existe nos poemas, na mentira dos poemas e eu já não insisto mais.