Quando minhas mãos pálidas
deixarem cair a última caneta
em um quarto barato
eles vão me achar lá
e nunca saberão
meu nome
minha intensão
nem o valor de minha fuga
Charles Bukowski
Descarregou a pistola, perfurando o corpo que cambaleava até alcançar o chão. Foram 13 balas.
Mas uma bastou para dar fim a vida daquilo que já não se tinha controle. As outras 12 foi puro desejo de matar.
Foi um crime perfeito, sem vestígios ou testemunhas.
Matou por raiva, paixão e uma quase, talvez esperança de renascer, como um novo homem liberto do anseio que ritmava seu braço aventureiro a segurar o mundo.
Matou em legitima defesa. Para nascer algo novo. Se nascer.
Porque tudo é tão incerto.
Matou porque fora isso que aprendera na selva onde nascera. E fará tantas e outras vezes, quando o medo bater a porta e rigor do inverno chegar.
Matou e matará, sem piedade quando descobrir que o amor é fatal e poder algum se tem sobre a ordem das coisas.
E por fim, o tempo desgastará os mármores e lhe trará rugas e cabelos grisalhos. Soletrará velhas palavras doces e generosas e em vão tentará sentir como antes, mas estará oco de vida e sonhos.
Um homem apagado, que matou e foi morto. Soterrado pela vida em todas as noites do mundo que passa num quarto só.
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