Imóvel, fundida num abraço de vidas, o tempo em volta de mim escorria sobre as horas. Muitos passavam e se perguntavam "o que está louca faz no meio da rua abraçada em uma árvore?" eu nada fiz apenas continuei ali imersa na delicadeza da vida que como eu não sabia falar.
Entrego meu corpo à solidez dos teus braços e degusto lentamente
a presença que se esvai por entre meus dedos. Como uma criança assustada, te
abraço forte temendo o caos que cobre o céu lá fora. Tua seiva por onde corre o
fluxo da vida és fonte inesgotável das minhas sedes mais profundas. Busco em ti
a paz que minha alma tomada por emoções mundanas desconhece, teus traços ocos
me sustentam e teus olhos esquecidos guardam a delicadeza pueril escondida
atrás da máscara de gente adulta que visto. Envolvo-te num último abraço, sem
expectativas ou o desejo de algo em troca. Te abraço porque és vida assim
como eu e na batida lenta do coração que não se sabe se é meu ou teu me perco, enquanto
os primeiros raios de sol tocam meu rosto, dando inicio a mais um ciclo de
recomeços.

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