"Quero outra vez um quarto todo branco e um par de asas. Mesmo de papelão."
Nós só precisamos de amor e de fé em nós mesmos, essa é típica frase clichê auto-ajuda que se ouve por ai. A ideia é boa mas não funciona bem assim a vida é estranha, difícil, as coisas nem sempre acontecem como se imagina e tudo é tão frágil que me parece que o mais simples gesto torna-se capaz de acabar com tudo. Existir é doloroso, por isso inventamos esses mundos paralelos cheios de sonhos na tentativa de vedar os olhos e esquecer o quão assustador é a realidade.
Há mim o que sempre pareceu inofensivo foi sempre o que me causou mais sofrimento. Eu sinto demais, tudo me toca, me sensibiliza, a dor do outro se faz minha pelo simples convívio ou mera delicadeza, mas sobretudo tenho um amor incondicional pelas pessoas mesmo não sabendo lidar ou viver ao lado delas.
A rejeição é marcada a ferro, só quem sente na pele sabe, o medo se faz mais forte sendo alicerce de qualquer relação criada. O abandono fere meu amigo, te quebra em pedaços e mesmo em cacos tu ainda sente. Não, eu não estou reclamando é apenas um pequeno desabafo. Num mundo onde estar aparentemente "feliz" é lei ser forte o tempo todo cansa principalmente quando não se sabe chorar. Perdoa minha falta de jeito, meio sem jeito, está amanhecendo está na hora de começar de novo quando a noite chegar conversamos novamente. Te cuida, te quero bem.
Julia ouve a voz da amiga e assustada escancará a porta com um golpe encontrando Monica jogada no chão com os olhos fixos na parede branca.
- Tá ficando maluca, falando sozinha?
Monica sorri.
- Monólogo interno Ju, monólogo interno.

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