Parecia ser mais um dia banal, a semana começava novamente e com ela uma pilha imensa de trabalhos a serem feitos. O calor havia nos abandonado, dando lugar ao charme do frio que creio que só o RS possui. Até onde a memória alcança, lembro-me gostar de tal clima, sempre fora assim, agora talvez ainda mais, pelo fato de trazer consigo não só o aconchego da lareira e da xícara de café, mas também pela nostalgia das lembranças guardadas com tamanha delicadeza por todos esses anos.
O frio me trás uma mala cheia de risos, músicas cantadas pelos corredores, e uma segunda família que deixei, na promessa de voltar, todavia jamais o fizera, creio por falta de coragem e também por acreditar que se tu tens uma lembrança boa e a vida te obriga a partir é melhor guardar o que se têm do que permitir que o amargor da ausência acabe por destruir os laços. Realmente foi o melhor, a gente não se vê muito é verdade, mas quando nos encontramos é quase tangível o carinho que o nosso abraço emana, por isso vos afirmo, aquilo que é de verdade, meus amigos, nunca se perde.
Parecia mais um dia banal, mas não era. Entre tantos sonhos extraviados e relógios que rodam pra trás, depois de tanto tempo eu sentia que finalmente havia me encontrado e sabe eu não sei se esse florescer interno é o que chamam de encontrar a tal felicidade, mas tá pra nascer alguém que me tire a alegria de procurar.
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