quinta-feira, 25 de julho de 2013

Roda, vida

"Que doa. Que rasgue cada véu de ilusão que foi criada. Que as lágrimas escorram gordas pela face impassível, que se derramem as retinas se o pranto de água e sal não for suficiente. Que entorpeça, que leve à beira da loucura essa sutura mal feita. Ferida que não cicatrizou, eu estava certa. Havia uma infecção emocional que apenas um bisturi poderia extirpar. Que seja. Não faço mais curativos e nem lanço mão de placebos. Que seja insônia, agonia, desespero se for este o caso. Não conheço vida sem quaisquer umas destas emoções. Mas que venha tudo: o cru, o imundo, o insuportável. Que eu possa sentir até o fundo dos poros, que todo o veneno amoleça minhas veias, que a dor, antes obsoleta, pois a vida exigia uma sucessão de alegrias, me corroa com inteireza. Mas que eu renasça... E cresça. E que possa receber, após esta limpeza, a paz.

Desejo coragem para quem nasceu pra sentir demais."

Marla de Queiroz




Você que lê já teve a sensação/impressão de não pertencer a lugar algum? Não pertencer a nenhuma cidade, estado, país? Viver do nomadismo, sem nenhuma amarra ou laço? 

Eu sinto-me assim.. Há uma corda estendida sobre o abismo e essa perigosa travessia tem sido minha vida. Não à escolhas a regra é curta, inquestionável, é preciso força e acima de tudo coragem pois a jornada é longa por vezes áspera, um simples tropeço e você cai.
 Dizem que alguns conseguem construir pontes, essas indestrutíveis por serem feitas de amor. Eu nunca consegui. O fiapo de memória revela-me que sempre fui só. Acho que nunca fui modelo de pessoa digna de ser amada, auto-suficiente para ninguém, mas isso não me fere mais, vez em quando a solidão me abraça eu lembro das canções que minha mãe costumava cantar quando era criança e acordava no medo da noite com medo do escuro, a saudade me faz sempre chorar, mas logo a realidade grita e novamente estou sobre a corda tentando atravessar,sinto vontade de gritar, pedir ajuda, dizer que a altura me dá medo e quando a corda balança sinto que vou cair. Ninguém nunca ouve, ninguém nunca chega, apenas se vão, assim como os pássaros e as estações. 

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